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A festa acabou

Atualizado: 8 de jul

Antonio Jorge Gonçalves Soares¹ (UFRJ/INCT Futebol)


No texto abaixo, o autor reflete sobre a trajetória do Brasil na Copa do Mundo de 2026, elenca os motivos apontados pela torcida e pela mídia para a derrota da seleção e estende a análise à CBF, revelando um cenário nada favorável para o futebol brasileiro.


O Brasil volta para casa nas oitavas. Imagem: Bettor Edge²
O Brasil volta para casa nas oitavas. Imagem: Bettor Edge²

A rotina voltou ao normal. Durante algumas semanas, porém, ela foi interrompida pela Copa do Mundo. Casas, bares e até locais de trabalho reorganizaram seus horários para acompanhar os jogos da seleção brasileira. Ruas enfeitadas de verde e amarelo, camisas da seleção, bandeiras nas janelas, mesas decoradas e uma profusão de adereços produziram um ambiente festivo que transformou o cotidiano. Como observou Victor Turner (1974), os grandes rituais coletivos criam experiências temporárias de pertencimento, uma communitas, na qual diferenças sociais são momentaneamente suspensas em torno de um objetivo comum. Essa perspectiva foi desenvolvida pioneiramente por Roberto DaMatta (1982, 1997), que interpretou o futebol e o carnaval como rituais nacionais nos quais a sociedade brasileira dramatiza suas tensões, produz experiências coletivas de pertencimento e reafirma, ainda que temporariamente, determinados valores compartilhados. Durante a Copa, essa experiência era perceptível: parentes, amigos e colegas reuniam-se diante da televisão compartilhando comida, cerveja, vinho e outros drinques, enquanto bares e restaurantes apostavam no aumento do movimento. A mídia mobilizava diariamente esse sentimento de pertencimento nacional, e até os camelôs investiam seus escassos recursos na venda de camisas, bandeiras, cornetas, apitos e confetes. Apesar de a equipe comandada pelo treinador italiano Carlo Ancelotti não empolgar, prevalecia a máxima segundo a qual o brasileiro “nunca desiste” e a festa deve continuar.


Logo na estreia, entretanto, a euforia convivia com as dúvidas. Nos bares e nas conversas familiares discutia-se a convocação: por que este jogador e não aquele? No futebol, apesar das negociatas que cercam seus bastidores e da pouca transparência de sua administração, tudo converge para a performance esportiva. Durante o jogo, ela se torna o principal critério de reconhecimento, relativizando, ainda que provisoriamente, as hierarquias de origem, classe e raça. O que importa é vencer, e espera-se que os jogadores demonstrem talento, entrega e capacidade para representar a camisa em campo. Mesmo sabendo que participam de um espetáculo comercial, cuidadosamente produzido pela FIFA e por seus patrocinadores, as pessoas aderem emocionalmente ao jogo: gritam, sofrem, comemoram, xingam, cobram dedicação e passam a viver a partida como se representassem a própria nação. Na verdade, o espetáculo esportivo gera excitação (Elias; Dunning, 1992). Durante noventa minutos – e todos os acréscimos – o mundo parece resumir-se ao “nós” contra “eles”. O imperativo coletivo torna-se simples: “temos que ganhar”. O empate diante do Marrocos fez surgir imediatamente as primeiras racionalizações: “não existe mais bobo no futebol”; “Paquetá não tem condições”; “Neymar foi convocado por pressão dos patrocinadores?”; “Casemiro não deveria estar nesse time”; “como Ancelotti leva Danilo, reserva do Flamengo?”


A vitória por 3 a 0 sobre o Haiti devolveu a animação, embora ninguém acreditasse seriamente que o Brasil pudesse perder para uma seleção profundamente fragilizada por suas crises políticas e sociais, que estão longe de representarem apenas problemas locais. Ouvi, inclusive, antes do jogo, por uma vizinha, a brincadeira perversa de que o Haiti havia ido à Copa apenas para “comer o lanche”. Em outras palavras, esperava-se da seleção pentacampeã apenas o cumprimento de sua obrigação. Na partida seguinte, outro triunfo por 3 a 0, desta vez contra a Escócia, manteve a festa viva. Ainda assim, a seleção seguia sem convencer. Chamava-me a atenção a dissonância entre o desempenho pouco inspirador em campo e o entusiasmo alimentado pela cobertura da mídia e pelo agenciamento massivo das atuais bets. Mas, as ruas pintadas e embandeiradas, bares, supermercados e shoppings decorados de verde e amarelo tornaram a paisagem um momento especial com grande adesão emocional de todos ao evento.


 

Contra o Japão, observamos um projeto de formação desenvolvido ao longo de décadas por nosso adversário. Impressionava a disciplina tática da equipe japonesa, frequentemente lembrada pelos comentaristas como parte do legado deixado por Zico durante sua passagem pelo futebol daquele país. O jogo foi tenso do início ao fim. Minha mulher, que normalmente não acompanha futebol, não torce por clube algum e costuma ironizar qualquer expressão do nacionalismo, permaneceu aflita e inquieta durante toda a partida. O Japão abriu o placar; o Brasil empatou e, quando tudo indicava que haveria prorrogação, Martinelli marcou o gol da classificação nos minutos finais do segundo tempo. A sensação coletiva era de alívio: “passamos”. Os comentaristas atribuíram o resultado às alterações promovidas por Ancelotti, exaltando a capacidade do treinador italiano de mudar o rumo da partida, mesmo a partir da desconfiança inicial deles sobre as substituições naquela partida.

 

Classificado para as oitavas de final, o Brasil aguardava a definição do adversário. Noruega ou Costa do Marfim? Não havia consenso entre os comentaristas, embora predominasse a opinião de que enfrentar os noruegueses seria mais favorável. A justificativa recorria ao velho repertório do futebol-arte: os europeus nórdicos seriam fisicamente fortes e altos, mas “duros de cintura”, enquanto as seleções africanas jogariam com mais improvisação, velocidade e “ginga”, aproximando-se do estilo tradicionalmente atribuído ao futebol brasileiro. Na Cazé TV, cujos comentaristas jovens adotavam um tom descontraído e declaradamente torcedor, predominava a convicção de que o Brasil superaria a Noruega, apesar da presença de Haaland, considerado um dos grandes atacantes do futebol mundial.


Chegou, então, o fatídico confronto contra a Noruega. Os noruegueses controlaram aproximadamente 70% da posse de bola, embora, como se repete no futebol, ter a bola não signifique necessariamente fazer gols. Logo aos quatro minutos, veio o primeiro susto: a Noruega balançou as redes, mas o gol foi anulado por impedimento após a confirmação tecnológica que hoje complementa o olhar dos assistentes. O alívio foi imediato. Apesar da inferioridade na posse de bola, o Brasil criava as melhores oportunidades nos contra-ataques, alimentando a esperança dos torcedores e torcedoras espalhados pelos bares, empresas ou em suas casas.

 

Em minha casa, minha mulher e minha filha reagiam a cada ataque brasileiro como torcedoras habituais e sofriam desesperadamente a cada investida da Noruega. Eu esbravejava e xingava alguns erros protagonizados por nossos jogadores. Quando Matheus Cunha foi derrubado na área e o árbitro nada marcou, elas protestaram imediatamente, convencidas de que ele estava “contra o Brasil”. Poucos segundos depois, o VAR chamou o árbitro para revisar o lance, e o pênalti foi confirmado. Vini Jr. aproximou-se da cobrança, mas Bruno Guimarães assumiu a responsabilidade. Colocou a bola na marca, evitou olhar para o goleiro para não denunciar o canto escolhido e bateu, de forma fraca e insegura, à meia altura, no lado esquerdo do goleiro. A defesa foi relativamente tranquila e fácil. Um silêncio tomou conta da casa. Amigos e familiares permaneceram alguns minutos sem conseguir comentar o jogo, enquanto os narradores insistiam que, em partidas eliminatórias de Copa do Mundo, erros como aquele costumam custar caro.

 

Pouco a pouco, porém, a tensão voltou a dominar o ambiente. A busca da excitação, na expressão de Norbert Elias e Eric Dunning (1992), reapareceu a cada nova chegada brasileira ao ataque. O jogo seguia aberto, mas a bola insistia em não entrar. O desespero crescia entre torcedores e comentaristas. Estes, aliás, dificilmente escondiam sua condição de torcedores. Afinal, a permanência da seleção significava também a continuidade da cobertura jornalística in loco do torneio. Quando o Brasil perde, parte da equipe de cobertura jornalística volta; as TVs e os jornais são negócios. A cada oportunidade desperdiçada, renovavam a esperança de uma reação, sem deixar de repetir o velho bordão de que não se pode perder um pênalti em Copa do Mundo..


Ancelotti procurou mudar o panorama da partida. Aos doze minutos do segundo tempo, lançou Endrick em campo no lugar de Matheus Cunha. O jovem atacante desperdiçou duas boas oportunidades, mas sua entrada foi interpretada pelos comentaristas como um sinal de que o treinador havia tornado o ataque brasileiro mais agressivo. Aos vinte e dois minutos, vieram duas novas alterações: Neymar substituiu Martinelli, enquanto Danilo entrou na vaga de Rayan – este, além de participar das ações ofensivas pela direita, exercia importante função defensiva, sobretudo na marcação de Haaland nas bolas paradas. Aos trinta e três minutos, Éderson entrou no lugar de Bruno Guimarães.

 

A reação, entretanto, não veio. Aos trinta e quatro minutos, um cruzamento pela esquerda encontrou Erling Haaland, que abriu o placar de cabeça. O Brasil ainda criou algumas oportunidades, mas desperdiçou todas elas. Pouco depois, Haaland voltou a aparecer, recebeu a bola na entrada da área e marcou o segundo gol, praticamente encerrando a partida. Já nos acréscimos, Casemiro sofreu um pênalti. Neymar converteu a cobrança, mas já era tarde. Ele ainda protagonizou um desnecessário conflito com o goleiro adversário, antes e depois da cobrança. Como se diz, a vaca havia ido para o brejo. O Brasil encerrava mais uma Copa do Mundo e ampliava para vinte e oito anos o jejum sem conquistar o título.

 

Ao abrir O Globo na manhã seguinte, percebi que as narrativas jornalísticas pouco diferiam das minhas impressões produzidas durante a partida. Eu também havia vestido a camisa azul da seleção, sofrido com o resultado e compartilhado a frustração da derrota. As interpretações apresentadas pelos comentaristas, contudo, concentravam-se em dois argumentos principais.

 

O primeiro dizia respeito ao estilo de jogo. O Brasil terminou a partida com apenas 33% da posse de bola, índice interpretado como incompatível com a tradição do nosso futebol. Segundo essa leitura, correr atrás da bola significaria abdicar de uma identidade construída em torno da superioridade técnica, da criatividade, da ginga, dos dribles e do improviso que supostamente foi inventado pelos brasileiros. Reaparece, assim, a velha narrativa do futebol-arte. Sob essa perspectiva, um treinador estrangeiro teria imposto um modelo excessivamente defensivo e distante daquilo que seria a “verdadeira” identidade do futebol brasileiro. Curiosamente, essa memória é seletiva. Exalta as seleções de 1958, 1962 e 1970, mas tende a esquecer que os títulos de 1994 e 2002 foram conquistados por equipes muito mais pragmáticas do que propriamente espetaculares. A memória coletiva opera por meio de lembranças e esquecimentos. Ao final, comentaristas, jornalistas e ex-jogadores – como Romário, em sua coluna publicada por O Globo em 6 de julho de 2026 – convergiam para a mesma conclusão: os jogadores brasileiros não teriam “honrado a amarelinha”.

 

O segundo eixo das explicações deslocava a atenção para a Confederação Brasileira de Futebol. Embora frequentemente tratada como uma instituição de interesse nacional, a CBF era criticada pela ausência de um projeto consistente de longo prazo para a formação das seleções brasileiras. As análises lembravam a sucessão recente de treinadores – Fernando Diniz, Dorival Júnior e, finalmente, Carlo Ancelotti – sugerindo que a contratação do técnico italiano, reconhecido internacionalmente por sua trajetória vitoriosa, representava uma tentativa de reduzir a pressão sobre uma entidade marcada por sucessivas denúncias de má gestão, privilégios e corrupção.

 

Entretanto, a dimensão política dessas denúncias apareceu apenas de forma marginal. As análises se concentraram no jogo e seus desdobramentos. Os analistas parecem esquecer que a CBF é uma associação juridicamente de direito privado que movimenta receitas bilionárias e que, há décadas, vem sendo administrada por uma verdadeira confraria de mafiosos do esporte. Basta observar a sucessão de dirigentes investigados, presos, banidos ou afastados para perceber que a corrupção não constitui um acidente de percurso, mas um sistema de governança da entidade. Esse modelo tem suas raízes na ascensão de João Havelange à presidência da FIFA, quando o futebol foi definitivamente incorporado à lógica dos grandes negócios globais na configuração do mercado. A partir da estreita associação construída com Horst Dassler, herdeiro da Adidas, Havelange transformou a FIFA em uma poderosa corporação internacional, financiada pelos direitos de transmissão, pelo marketing esportivo e pelos contratos de patrocínio. Como demonstra Barbara Smit (2007), essa reorganização ampliou extraordinariamente as receitas do futebol mundial, mas também consolidou uma forma de governança baseada na concentração de poder, em relações pessoais entre dirigentes e grandes empresas e em mecanismos pouco transparentes de negociação. A CBF é filha desse modelo de negócios. Sua história recente mostra que a espetacularização do futebol e a paixão despertada pela seleção convivem, sem maiores constrangimentos, com uma estrutura dirigente marcada por privilégios, opacidade administrativa e sucessivos escândalos de corrupção.

 

O primeiro presidente da CBF após a ascensão internacional de Havelange foi seu então genro, Ricardo Teixeira, que permaneceu no comando da entidade entre 1989 e 2012. Sua gestão terminou sob forte pressão decorrente de denúncias de corrupção, culminando posteriormente em seu banimento pela FIFA. José Maria Marin (2012-2015), seu sucessor, foi preso na Suíça durante a operação conhecida como FIFAGate e condenado pela Justiça norte-americana por corrupção, fraude e lavagem de dinheiro. Marco Polo Del Nero (2015-2017) também foi investigado por corrupção, evitou deixar o território brasileiro para não ser extraditado e acabou igualmente banido do futebol pela FIFA. Entre seu afastamento e a eleição de Rogério Caboclo, Coronel Nunes exerceu a presidência interinamente entre dezembro de 2017 e abril de 2019, retornando ao cargo entre junho e agosto de 2021, sendo o único dirigente desse período que não foi afastado em razão de acusações de corrupção ou de outras infrações. Rogério Caboclo (2019-2021), por sua vez, deixou a presidência após denúncias de assédio moral e sexual formuladas por uma funcionária da entidade. Mais recentemente, Ednaldo Rodrigues, eleito em 2022, tornou-se mais um presidente afastado do comando da CBF quando sua permanência foi anulada por decisão judicial em razão de questionamentos acerca da regularidade do processo eleitoral e da validade do acordo que sustentava sua eleição. A sequência desses episódios revela uma notável continuidade institucional e evidencia que os problemas de governança da CBF transcendem as trajetórias individuais de seus dirigentes.

 

Durante a administração de Ednaldo Rodrigues, outro aspecto chamou a atenção. A remuneração dos presidentes das federações estaduais foi significativamente ampliada. Os pagamentos mensais passaram de cerca de R$ 50 mil para aproximadamente R$ 215 mil, acrescidos de benefícios, viagens e outras vantagens. A estratégia de fortalecimento das federações estaduais deve ser compreendida à luz do sistema eleitoral da CBF. Desde 2017, seus presidentes locais passaram a ocupar posição central na escolha do dirigente máximo da entidade, pois cada federação dispõe de voto com peso três, superior ao dos clubes das Séries A e B. Essa configuração confere às federações capacidade suficiente para definir o resultado da eleição presidencial, tornando seu apoio político um ativo fundamental para qualquer grupo que pretenda controlar a confederação (Abreu, 2025).

 

Após o afastamento de Ednaldo Rodrigues, a presidência passou a ser exercida por Samir Xaud, dirigente oriundo da Federação Roraimense de Futebol, uma das menores e menos expressivas do futebol brasileiro. Sua chegada representou muito mais uma continuidade institucional do que uma ruptura. Coube à sua gestão implementar a contratação de Carlo Ancelotti, resultado de negociações iniciadas ainda na administração anterior. Mas, para não fugir à tradição dos escândalos que envolvem a entidade, o novo presidente, durante a Copa do Mundo de 2026, foi alvo de reportagens que o acusaram de utilizar recursos da entidade para custear viagens e hospedagens de mulheres apontadas pela mídia como suas amantes. Em meio à repercussão das denúncias, Xaud afastou-se dos holofotes e reduziu sua presença junto à delegação brasileira durante parte da competição. Em resposta às reportagens, a CBF divulgou nota pública negando qualquer desvio de recursos. Segundo a entidade, despesas de caráter privado atribuídas a seus dirigentes não integram a contabilidade institucional e, quando existentes, são de responsabilidade exclusiva de quem as realizou.


É justamente essa coexistência entre a paixão coletiva despertada pela seleção brasileira e a permanência de uma estrutura dirigente marcada por privilégios, opacidade administrativa e sucessivos escândalos que constitui uma das maiores ambivalências do futebol contemporâneo. Durante a Copa do Mundo, milhões de brasileiros suspendem provisoriamente suas diferenças, a rotina muda e experimentam a communitas (Turner, 1974; DaMatta, 1982), compartilhando emoções e pertencimentos coletivos naquele tempo de suspensão do mundo ordinário. Ao término do torneio, contudo, a festa se desfaz, a excitação desaparece. É nesse momento que reaparecem as contradições entre o futebol como patrimônio simbólico e o futebol como um dos negócios mais lucrativos e politicamente opacos do capitalismo esportivo contemporâneo. É nesse momento que as derrotas passam a ser racionalizadas a partir do que aconteceu em campo e fora dele.

 

A festa acabou!

 

Referências

 

ABREU, Allan. “Coisas extravagantes”: uma radiografia da gestão de Ednaldo Rodrigues na CBF. Revista Piauí, Rio de Janeiro, 31 mar. 2025. Disponível em: https://piaui.uol.com.br/revista/223/uma-radiografia-da-gestao-de-ednaldo-rodrigues-na-cbf/. Acesso em: 6 jul. 2026.

 

ELIAS, Norbert; DUNNING, Eric. A busca da excitação: esporte e lazer no processo civilizador. Lisboa: Difel, 1992.

 

DAMATTA, Roberto. Carnavais, malandros e heróis: para uma sociologia do dilema brasileiro. Rio de Janeiro: Rocco, 1997.

 

DAMATTA, Roberto (Org.). Universo do futebol: esporte e sociedade brasileira. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1982.

 

SMIT, Barbara. Invasão de campo: Adidas, Puma e os bastidores do esporte moderno. Tradução de Cristiano Botafogo. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.

 

TURNER, Victor. O processo ritual: estrutura e anti-estrutura. Petrópolis: Vozes, 1974.

 

Sobre o autor:

 

Antonio Jorge Gonçalves Soares é professor Titular da UFRJ. No INCT Futebol, coordena a linha de pesquisa “Mídias, torcidas e movimentos antirracistas no futebol” e é um dos editores do blog Bate-Pronto.

 

As perspectivas presentes nos artigos veiculados no blog Bate-Pronto não necessariamente refletem as posições institucionais do INCT Futebol.

 

Como citar?

SOARES, Antonio Jorge Gonçalves. A festa acabou. Bate-Pronto – INCT Futebol, Florianópolis, v. 3 n. 25, 2026.

 

O Brasil está fora da Copa do Mundo de 2026, mas o torneio segue acontecendo. Se quiser ler mais sobre ele, acesse o link: Mais vagas, mais histórias: o que a Copa de 48 seleções revela sobre o futebol global.


¹ Professor Titular da UFRJ; Professor do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRJ; Professor da UNIG. Bolsista do CNPq e Cientista do Nosso Estado – FAPERJ.


² CC BY-NC 4.0.


 
 
 

3 comentários

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Juliana
10 de jul
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Excelente reflexão! Um texto envolvente que traz a reflexão de como acabamos nos envolvendo pelo sentimento de patriotismo durante a Copa, a ponto de, muitas vezes, deixarmos de perceber os interesses econômicos e políticos que existem por trás do espetáculo.

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Helder G Resende
8 de jul
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Li A festa acabou e gostei demais. O texto começa na sala de casa, com a família sofrendo diante da TV, e termina discutindo a bagunça que é a CBF, fazendo essa passagem de forma muito natural. A festa da Copa e a sujeira dos bastidores aparecem lado a lado, e é justamente essa articulação que dá força ao artigo. O futebol vivido como emoção coletiva vai, aos poucos, dando lugar ao futebol como negócio e como problema institucional, sem que essa mudança pareça artificial.

Duas sacadas me marcaram. A primeira é a crítica à memória seletiva do nosso futebol. A gente costuma lembrar apenas das seleções de 1958, 1962 e 1970 e esquece que os títulos de 1994 e 2002…

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Convidado:
8 de jul
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Autor escolheu maravilhoso ângulo da fatografia do momento. No primeiro plano nossa paixão com a seleção. No plano de fundo, sem sombras ou efeitos, a realidade objetiva do que é o futebol hoje. A pergunta que fica é, se estamos todos discrentes e críticos de todas as instituições tradicionais da sociedade capitalista, por que diabos ainda nos permitimos fluir e nos emocionar iludidamente com a copa?

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