Did I become Arab or Egyptian? (Eu me tornei árabe ou egípcia?)
- INCT Futebol
- há 2 dias
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Atualizado: há 5 horas
Viveka Anderton (Stockholm University)
In the text below, the author shares the emotions she experienced following Egypt’s elimination from the 2026 World Cup, from the perspective of an identity shaped across different nations.

As I watched the crowds gather, the Egyptian flags waving proudly, I felt tears running down my face. There was such raw emotion. Pride. Disbelief. Grief. To come so close, only to see victory disappear in the final moments.
It is not all about football. It was about identity. It was about a nation standing together.
And perhaps even more than that, it was about a region standing together. His Highness Sheikh Mohammed bin Rashid Al Maktoum captured it beautifully:
‘Today, we witness a heroic Egyptian-Arab match. Egypt’s Pharaohs fought against the world champion until the very last minute. We are proud of their Egyptian spirit. You will return as heroes to your Arabian nation… and you will remain heroes in the eyes of all Arabs.’
A few weeks ago I was back in Sweden. Like many places across Europe, much of the public discussion centred on integration, language requirements, citizenship and what it means to belong. It made me reflect on my own life. After spending most of my adult life abroad, who have I become? British? Egyptian? Omani? Emirati? The answer is both simple and complicated.
I remain who I have always been… and yet I am no longer only that. Here in Egypt I am still the khawageya (خواجاية), the foreign woman. No one expects me to stop being Swedish or somehow become Egyptian. Instead, I am welcomed as I am, often with the greatest compliment I can receive: ‘You are one of us… you are Masreya’ (مصرية) — meaning Egyptian. I am extremely proud of being Egyptian.
That has always fascinated me. Some societies see integration as gradually becoming more like everyone else. Others promote coexistence and tolerance, comfortable in allowing multiple identities to exist side by side. But after more than thirty years living and working across the Middle East, I have realised something important. Identity is not a choice between one culture or another. It is an accumulation. Every country, every friendship, every shared meal, every difficult conversation, every celebration prints a mark in my heart.
None of those experiences erased the Swedish girl I once was. They simply added new layers. So today, I watch the plane land, welcoming the Egyptian heroes. I am celebrating and grieving with them.
And perhaps that is what cross-cultural living really is. Not becoming someone else. But allowing more than one place, more than one people, and more than one culture to find a permanent home in your heart.
Eu me tornei árabe ou egípcia?
Viveka Anderton (Universidade de Estocolmo)
No texto abaixo, a autora compartilha as emoções que viveu com a eliminação do Egito na Copa de 2026, a partir de uma identidade construída entre diferentes nações.
Enquanto eu observava a multidão se reunir, com as bandeiras egípcias tremulando orgulhosamente, senti lágrimas escorrerem pelo meu rosto. Havia uma emoção tão intensa. Orgulho. Incredulidade. Tristeza. Chegar tão perto, apenas para ver a vitória escapar nos momentos finais.
Não se trata apenas de futebol. Tratava-se de identidade. Tratava-se de uma nação unida.
E, talvez ainda mais do que isso, tratava-se de uma região unida. Sua Alteza Sheikh Mohammed bin Rashid Al Maktoum expressou isso lindamente: “Hoje, testemunhamos uma partida heroica egípcio-árabe. Os Faraós do Egito lutaram contra o campeão mundial até o último minuto. Temos orgulho de seu espírito egípcio. Vocês retornarão como heróis para sua nação árabe… e continuarão sendo heróis aos olhos de todos os árabes.”
Há algumas semanas, eu estava de volta à Suécia. Como em muitos lugares da Europa, grande parte do debate público girava em torno da integração, das exigências linguísticas, da cidadania e do que significa pertencer. Isso me fez refletir sobre minha própria vida. Depois de passar a maior parte da minha vida adulta no exterior, quem eu me tornei? Britânica? Egípcia? Omanense? Emiradense? A resposta é, ao mesmo tempo, simples e complicada.
Continuo sendo quem sempre fui… e, ainda assim, já não sou apenas isso. Aqui no Egito, continuo sendo a khawageya (خواجاية), a mulher estrangeira. Ninguém espera que eu deixe de ser sueca ou que, de alguma forma, me torne egípcia. Em vez disso, sou acolhida como sou, muitas vezes com o maior elogio que posso receber: “Você é uma de nós… você é Masreya” (مصرية) — ou seja, egípcia. Tenho um orgulho imenso de ser egípcia.
Isso sempre me fascinou. Algumas sociedades veem a integração como um processo de, gradualmente, tornar-se mais parecido com todos os outros. Outras promovem a coexistência e a tolerância, sentindo-se confortáveis em permitir que múltiplas identidades existam lado a lado. Mas, depois de mais de trinta anos vivendo e trabalhando em diferentes partes do Oriente Médio, percebi algo importante. A identidade não é uma escolha entre uma cultura ou outra. É um acúmulo. Cada país, cada amizade, cada refeição compartilhada, cada conversa difícil, cada celebração imprime uma marca em meu coração.
Nenhuma dessas experiências apagou a menina sueca que um dia fui. Elas simplesmente acrescentaram novas camadas. Então, hoje, vejo o avião pousar, recebendo os heróis egípcios. Celebro e lamento com eles.
E talvez seja isso que realmente significa viver entre culturas. Não se tornar outra pessoa. Mas permitir que mais de um lugar, mais de um povo e mais de uma cultura encontrem um lar permanente em seu coração.
About the autor:
Viveka Anderton is a researcher whose work focuses on culture and identity in the Middle East and North Africa, as well as on the use of business ethnography in the Middle Eastern private sector. She is a member of the Commission on Anthropology of the Middle East of the International Union of Anthropological and Ethnological Sciences (IUAES). She studied at the Department of Asian and Middle Eastern Studies at Stockholm University and at the Department of Culture and Media Studies at Umeå University, Sweden.
Sobre a autora:
Viveka Anderton é uma pesquisadora cujo trabalho se concentra em cultura e identidade no Oriente Médio e no Norte da África, bem como no uso da etnografia empresarial no setor privado do Oriente Médio. É membra da Comissão de Antropologia do Oriente Médio da União Internacional de Ciências Antropológicas e Etnológicas (IUAES). Estudou no Departamento de Estudos Asiáticos e do Oriente Médio da Universidade de Estocolmo e no Departamento de Estudos de Cultura e Mídia da Universidade de Umeå, na Suécia.
As perspectivas presentes nos artigos veiculados no blog Bate-Pronto não necessariamente refletem as posições institucionais do INCT Futebol.
Como citar?
ANDERTON, Viveka. Did I become Arab or Egyptian?. Bate-Pronto – INCT Futebol, Florianópolis, v. 3, n. 39, 2026.
O Bate-Pronto tem recebido contribuições de colegas de diferentes nacionalidades, que vêm nos ajudando a compreender mais sobre a Copa. Para ler mais, acesse: Fútbol y política: entre la fantasía y la ignorância.
¹ Gerada a partir de registros fotográficos dos jogos da Copa 2026.
Did I become Arab or Egyptian? © 2026 by Viveka Anderton is licensed under CC BY-NC 4.0
Eu me tornei árabe ou egípcia? © 2026 by Viveka Anderton is licensed under CC BY-NC 4.0
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