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Pesquisadora do INCT defende tese sobre mulheres torcedoras de futebol

22 de maio de 2026
14:45
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A Dr.ª Thais de Almeida, durante a defesa de sua tese. Imagem: LAPRAPEF

Na última segunda-feira, 18 de maio de 2026, Thais Rodrigues de Almeida, pesquisadora do INCT Futebol, tornou-se doutora em Ciências Humanas, defendendo a tese “Mulheres torcedoras de futebol: pertencimento, protagonismo e resistência”. O trabalho foi orientado pela Dr.ª Carmen Rial, coordenadora-geral do INCT Futebol, e coorientado pela Dr.ª Caroline de Almeida, coordenadora da linha de pesquisa “Infraestrutura, torcida, estádio, museu e memória no futebol”.

 

Na pesquisa, Thais teve, como interlocutoras, torcedoras do Avaí e do Figueirense, além de torcedoras do Vasco da Gama residentes em Florianópolis. A autora nos conta um pouco mais sobre o seu trabalho: “Minha pesquisa investigou as experiências e trajetórias de mulheres torcedoras de futebol, analisando como elas constroem pertencimentos, identidades e formas de participação em um espaço historicamente marcado por masculinidades. Busquei articular debates sobre gênero, poder e interseccionalidade, evidenciando que o torcer feminino não constitui uma experiência homogênea, mas é atravessado por diferentes trajetórias, relações familiares, marcadores sociais e modos de vivenciar o futebol.”

 

A tese foi desenvolvida no Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas (PPGICH) da UFSC. Na banca de defesa, participaram como avaliadoras as professoras Dr.ª Verónica Moreira (UBA), Dr.ª Luciana Zucco (UFSC) e Dr.ª Mariane Pisani (UFPI). Para Mariane, o trabalho oferece uma importante contribuição à Antropologia do Esporte e aos Estudos de Gênero no Brasil: “A tese demonstra que as mulheres torcedoras não ocupam um lugar marginal no futebol, mas participam ativamente da produção de pertencimentos, afetos e disputas políticas nas arquibancadas.”

 

Carmen Rial destaca a relevância do trabalho desenvolvido pela recém-doutora: “A tese da Thais é uma das primeiras feitas no país sobre torcidas organizadas de mulheres. Ela trata da pedagogia do torcer, ou seja, de como essas mulheres aprenderam a torcer. As mulheres levaram muito tempo para se organizarem em torcidas, e só recentemente elas passaram a ter, de fato, uma voz entre os torcedores.” A orientadora da tese destaca outra importante contribuição do trabalho de Thais: “A tese mostra que, mesmo não se considerando feministas, essas mulheres têm práticas que são efetivamente bastante feministas. O fato de irem a campo e de participarem em um espaço ainda dominado por uma masculinidade agressiva já expande os limites do que é ser mulher no Brasil.”

 

Verónica Moreira desenvolve, na Universidade de Buenos Aires, pesquisas sobre futebol e feminismo. Comentando sobre o trabalho, ela reforça essa dimensão da pesquisa de Thais: “A tese oferece uma grande contribuição à discussão sobre as tensões entre ‘futebol de mulheres’, ‘futebol feminino’ e ‘futebol feminista’, categorias cujos conteúdos se encontram em disputa.” Para Carmen, existe uma importante conexão entre trabalhos de autoras latinas desenvolvidos nesse campo: “O diálogo entre pesquisadoras brasileiras que estudam futebol e pesquisadoras de outros países da América Latina tem sido muito profícuo, e a tese da Thais vem se somar a ele.”


Thais ao lado da orientadora da tese, Carmen Rial. Imagem: LAPRAPEF
Thais ao lado da orientadora da tese, Carmen Rial. Imagem: LAPRAPEF

Thais destaca o papel que o INCT teve na sua formação durante o doutorado: “O ingresso no INCT Futebol foi fundamental para a ampliação das redes de pesquisa às quais tive acesso ao longo do desenvolvimento da tese. Pude participar de diferentes atividades promovidas e organizadas pelo INCT. Soma-se a isso a dimensão de internacionalização proporcionada pela participação em eventos.”

Texto de Vanrochris Vieira.
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