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Pesquisadoras do INCT Futebol participam de eventos no exterior

April 9, 2026
18:15
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A coordenadora-geral do INCT Futebol, Carmen Rial, em evento em Istambul

No mês de março de 2026, as doutoras Carmen Rial (coordenadora-geral do INCT Futebol), Mariane Pisani (vice-coordenadora geral), Caroline de Almeida e Lívia Gonçalves Magalhães (coordenadoras de linhas de pesquisa), apresentaram-se em importantes eventos na Turquia e na Argentina, dando mais um passo rumo à internacionalização do Instituto e à criação de redes com países latino-americanos e europeus.

 

Criação de novas redes em Istambul

 

A Dr.ª Carmen Rial (UFSC/INCT Futebol) participou da Conferência Intermediária da Rede de Pesquisa 28 (Sociedade e Esporte) da Associação Europeia de Sociologia (ESA), que ocorreu na Universidade Bilgi de Istambul, na Turquia, entre 27 e 28 de março de 2026. O tema do evento foi “Mobilidades corporificadas: esporte, corpo e transformação social no Sul Global”. Carmen apresentou um trabalho intitulado “Seguindo Arina: o Título IX e a circulação transnacional de jogadoras brasileiras de futebol”. O Título IX é uma lei estadunidense que garante a igualdade de gênero em programas educacionais de universidades que recebem financiamento federal, incluindo os esportivos. Ele fez com que o futebol praticado por mulheres tivesse mais espaço de desenvolvimento nesse país. Carmen está entre os(as) cinco integrantes da Rede Internacional de Pesquisa em Esporte e Questões Migratórias presentes no evento.

 

A conferência contou com cerca de 75 participantes de 10 diferentes países. Foram 45 apresentações distribuídas em 10 sessões. Carmen explica que, apesar do número relativamente pequeno de participantes, esse evento tem um impacto muito grande. A pesquisadora nos conta sobre as oportunidades trazidas por ele: “a minha proposta foi discutir redes de futebol. Com isso, a gente conseguiu reunir pessoas interessadas em participar da rede, mas também outras redes existentes das quais nós podemos participar. Houve uma grande adesão ao INCT Futebol. Várias pessoas demonstraram interesse em participar da nossa rede.” Na foto abaixo, Carmen está ao lado de Enrico Michelini, coordenador da Rede de Pesquisa Sociedade e Esporte, e Jakub Vavrovisky, um dos pesquisadores internacionais que aderiram à rede do INCT Futebol.


Carmen Rial ao lado de Enrico Michelini e Jakub Vavrovisky
Carmen Rial ao lado de Enrico Michelini e Jakub Vavrovisky

A professora também compartilha uma dinâmica que ela considerou bastante produtiva e que pode ser aproveitada em futuros eventos do Instituto: “O último dia foi interessante porque eles criaram uma espécie de reunião a partir da técnica de ‘Tecnologia do Espaço Aberto’. Essa técnica tem dois momentos. Um momento que eles chamam de ‘Mercado’, em que os participantes, em volta de uma roda, vão até o painel e colam um papel com uma temática que eles gostariam de discutir, mas não puderam discutir muito no encontro. Depois, tem a segunda parte, que é a parte temática, na qual as pessoas que aderiram aos tópicos propostos se reúnem num cantinho e ficam discutindo.”

 

Pesquisa e memória na América Latina

 

Entre 18 e 20 de março de 2026, ocorreu em Rosário, na Argentina, o Congresso sobre História da Ditadura Militar, com o tema “50 anos do golpe de Estado de 1976”, em referência ao golpe militar que tirou Isabel Perón da presidência do país. O evento foi realizado na Universidade Nacional de Rosário. Entre as mesas do congresso, ocorreu a “Esportes, Memórias e Ditaduras”. Ela contou com a relatoria da Dr.ª Mariane Pisani (UFPI), vice-coordenadora do INCT Futebol, e com a apresentação de trabalhos da Dr.ª Caroline de Almeida (UFPE), coordenadora da linha de pesquisa “Infraestrutura, torcida, estádio, museu e memória no futebol” e da Dr.ª Lívia Gonçalves Magalhães (UFF), coordenadora da linha de pesquisa “Instituições, economia e políticas do futebol”.

 

O trabalho apresentado por Caroline teve como título “O futebol na trama da Operação Condor”. A pesquisadora discutiu as articulações entre futebol, memória, censura e repressão nas ditaduras latinas, com foco no Brasil. O futebol foi espaço de vigilância, perseguição e apagamento de trajetórias dissidentes, especialmente de mulheres. O trabalho destacou que a repressão atravessou fronteiras, como no caso da Operação Condor, que foi uma coordenação repressiva transnacional, da qual participaram países como Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia e Brasil.

 

Lívia apresentou o trabalho “Os estádios de futebol como lugares de memória em ditaduras”. A pesquisadora abordou o estádio Caio Martins, em Niterói, que foi utilizado como um centro de detenção durante a ditadura, e o Estádio Nacional de Santiago, no Chile, onde muitas pessoas foram assassinadas. A autora apresenta, como exemplo de preservação da memória, a ação do estágio de Santiago de manter reservadas as cadeiras de uma tribuna para representar esse acontecimento.

 

Caroline conta que os trabalhos da mesa geraram interessantes debates: “Teve uma discussão a respeito de que aqui no Brasil, por exemplo, muitas pessoas de camadas médias, que se diziam de esquerda, tentavam não torcer pelo futebol brasileiro na Copa de 1970, porque sabiam que a ditadura estava usando o esporte como propaganda política. Tinham ainda aqueles manuais de comunistas, muito aquela ideia de Adorno e Horkheimer de que o entretenimento de massa seria uma forma de alienação.”

Texto de Vanrochris Vieira.
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