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Brasileirão Feminino é tema de novo relatório do Observatório Social do Futebol

4 de mayo de 2026
17:00
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Raíssa de Oliveira Sousa foi responsável pela diagramação e composição da capa.

O Observatório Social do Futebol lançou um relatório que promove um panorama geral do Campeonato Brasileiro Feminino A1 de 2025. O mapeamento da competição foi feito por meio da sistematização dos dados disponíveis sobre as partidas, levando em conta público presente, estádios utilizados, transmissões televisivas e redes sociais dos clubes. Os resultados expõem um conjunto de problemas organizacionais que dificultam a consolidação do futebol de mulheres no Brasil.

A Dr.ª Leda Maria da Costa (UERJ), coordenadora-geral do Observatório, foi a pesquisadora responsável pelo material. “O objetivo do relatório era tentar fazer um mapeamento sobre as condições de organização do campeonato brasileiro feminino, que é a principal competição do futebol de mulheres no Brasil, já considerando que em campeonatos anteriores havia muitas reclamações das jogadoras, sobretudo das condições de trabalho, jogos que atrasavam, estádios e horários ruins”, relata a professora. Tratando-se do país sede da próxima Copa do Mundo Feminina, estar às vésperas do torneio foi outro elemento que motivou a busca pela produção de dados mais concretos a respeito do cenário nacional.

O trabalho é oriundo da Linha de Pesquisa “Coletivos e Ativismos no Futebol” do Observatório Social do Futebol, projeto de extensão vinculado ao Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte (LEME) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Além da Dr.ª Leda da Costa, o relatório contou com contribuições de João Vasquez, Víctor Affonso, Paula Barreiro, Geovana Costa, Bárbara Sarinho e Clara Quintaneira. 

A coordenadora da Linha da Pesquisa “Futebol de mulheres, de indígenas, paralímpico e LGBTQIA+” do INCT Futebol, Dr.ª Mariane Pisani, reitera a função estratégia de relatórios como este para o desenvolvimento do futebol de mulheres. “Iniciativas dessa natureza ajudam a consolidar uma cultura de transparência e memória sobre a modalidade, algo fundamental para que o crescimento do futebol feminino seja sustentado por evidências e não apenas por percepções pontuais”, destaca a pesquisadora. O relatório reúne gráficos, tabelas e imagens que favorecem o entendimento das informações apresentadas. 

De acordo com o relatório, o campeonato é marcado por instabilidades, alterações frequentes de estádios e calendário incerto. Para a Dr.ª Leda, os resultados refletem uma persistente secundarização das mulheres no esporte e derivam de um contexto de pouco cuidado com o futebol feminino profissional: “o que se percebe é que não está se criando condições para que o futebol de mulheres tenha um Campeonato Brasileiro minimamente organizado para que consiga se fortalecer com o tempo”. Segundo ela, a variação do público é um reflexo desse panorama que impossibilita uma cultura torcedora mais consolidada. “Em relação aos resultados, uma parte eu já imaginava, porque, quando se trata de futebol feminino, as coisas são mais complicadas no futebol brasileiro. Mas, por outro lado, ainda me surpreendeu”, aponta a pesquisadora.

A ex-atleta Lúcia Reis, que jogou pelo Esporte Clube Radar na década de 1980, visualiza com frustração o contexto atual do futebol de mulheres. Ela esperava que, passados quarenta anos desde o período em que atuou na modalidade, mais mudanças poderiam ter acontecido: “tem inconsistências desde sempre, e os avanços existem, mas são muito pequenos e muito lentos. Demora muito para dar um passo à frente”. Lúcia foi a convidada do webinário “Futebol de Mulheres e Memórias da Década de 1980”, promovido pelo INCT Futebol.

“Espero que o de 2026 seja diferente, mas eu acho que os resultados mostram como o futebol de mulheres ainda precisa realmente de um comprometimento maior por parte dos clubes, por parte das federações, para que ele consiga se estabelecer definitivamente no Brasil”, finaliza a professora Leda.

O relatório, disponível gratuitamente no site do Observatório, teve apoio da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Faculdade de Comunicação Social e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UERJ.
Texto de Isabelle Barbosa com supervisão de Vanrochris Vieira.
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